sexta-feira, 30 de julho de 2010

CAPÍTULO 3 - HISTÓRIAS DE NÓS DOIS


Aquela noite estava linda, a lua estava cheia, e namorávamos no portão, contemplávamos aquela lua que iluminava o nosso espaço, os nossos corpos, e nos tornava ainda mais românticos. Ela com seus cabelos negros e compridos, lábios saborosos e delicados, olhos de um significado forte, mas encantados, sedutores, penetrantes. Mãos carinhosas, meigas e extremamente delicadas que me faziam arrepiar quando tocado. Uma boneca de porcelana, sendo explorada, e que eu tinha medo de magoar e quebrar, mas que eu ainda estava conhecendo, e descobrindo seu charme. Tudo com muito cuidado, com muito tato, pois a cada descoberta nos tornávamos ainda mais próximos um do outro, e a cada beijo, a cada toque, a cada calor mais forte, os nossos olhares se encontravam como sinal da construção desse nosso amor. Nossos sentimentos se viam nos nossos olhos, estávamos cada dia mais apaixonados. Não era uma paixão a primeira vista, não era apenas um fogo adolescente, mas estava nos fazendo conhecer um amor, um amor verdadeiro, construído com responsabilidade, solidificando no respeito, no carinho e na dedicação que cada um tinha um para com o outro. Amor construído é mais gostoso, e com certeza mais sólido, pois quem é que iria imaginar que poderia durar por tanto tempo. Um professor se apaixonar por sua aluna 8 anos mais nova? E uma jovem de 15 anos deixar toda sua adolescência para ficar ao lado de seu ex-professor de 23 anos? Isso parecia uma história de contos de fadas, mas virou realidade, uma gostosa realidade que vivemos até hoje, 15 anos mais tarde...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

CARTA 1 - ANTES DE SP -- BA


08 de dezembro de 1994


Luiza


Foi em 1992 que eu te vi pela primeira vez, mas confesso aqui para você, que no início você não era minha aluna preferida, mas não precisou muito, bastou alguns meses para você me conquistar, seus olhos, seu sorriso, fizeram meu coração abrir as portas para você.

Em 1993, meu carinho aumentou, pois já te conhecia melhor, e você passava para uma fase da vida de decisões. Com sua educação, com o seu sorriso e com os seus gestos, você só fazia eu gostar mais e mais de você.

Mas 1994 chegou, e agora acabou, e agora o que vou fazer? Você vai embora, não vou mais ter ver. Você vai me esquecer? E você, o que vai fazer? Você é a culpada, me seduziu com os seus olhos, seu sorriso, enfim com essa sua forma carinhosa de se aproximar das pessoas, seduzí-las e não deixá-las jamais.

Vai lembrar de mim? Das risadas, dos passeios, das brigas em classe? Vai esquecer do professor de matemática? Das equações, dos sistemas e do b²-4ac?

Obrigado por me fazer sorrir, obrigado por gostar de mim, obrigado por me olhar assim diferente e que só eu entendo, obrigado também por me ensinar, me convencer, me educar, me fazer sorrir quando estava triste, por me divertir. Obrigado por tudo, e desculpe alguma coisa.

Você virá sempre me ver, mas eu vou sentir saudades. Ou será que não? Pois se você quiser, não sentirei sua falta, não sentirei saudades, basta você decidir se deseja mesmo me ver todos os dias.

Acho que isso não é uma recordação, mas sim uma declaração que eu te adoro e que você hoje é minha aluna predileta, é mais do que isso, é um pedaço do meu coração que vai sofrer se não te ver mais, por isso você é responsável pela minha saúde, seu eu sofrer do coração, você será responsável pelo sofrimento, pois deixou que ele sentisse saudades de você.

Se sentir saudades minhas venha me ver, se não for possível naquela hora, aperte o alefante( ursinho que te dei) e com certeza você verá que ele vai sorrir para você, pois eu estarei pensando naquele momento em você, mas acho que saudades você não vai sentir de mim, pois espero que você esteja mais próxima de mim do que imagino.

Não vou deixar beijos, pois quero dá-los pessoalmente. Não vou deixar mensagens, recadinhos ou recadões, pois eles só ficarão no papel, quero falar com você, conversar com você, sorrir pra você. Vou ler todos os cartões que me deu, cada bilhete ou papel escrito que tenha me dado nestes anos que a conheci, e vou cobrar cada beijo que você me mandou, posso?


Seu eterno professor da

6ª série A - Matemática - 1992

7ª série B - Matemática - 1993

7ª série B - Desenho Geométrico - 1993

8ª série A - Matemática - 1994



Miguel

segunda-feira, 26 de julho de 2010

CARTA 2 - ANTES DE SP -- BA


06 de novembro de 1995


Miguel


Estamos juntos há quase oito meses, e quando olho para você nem acredito que está ao meu lado, porque se analisarmos bem, tudo começou com simples brincadeiras, pequenas trocas de olhares, passeios que aconteciam de vez em quando começaram a ser mais frequentes, nossas conversas passaram a ser mais íntimas, e foi assim que você passou a deixar de ser o "meu professor" para se tornar hoje o "meu namorado".

Sabe, hoje em dia já não sei te imaginar distante de mim, você me ensinou a gostar de você de tal forma, que posso dizer que você é hoje a coisa mais importante para mim.

Queria poder dizer muitas coisas, mas não sei dizer, nem tão pouco escrever, apenas sinto e vivo isso que sinto com a maior intensidade possível, tentando fazer com que cada dia vivido ao teu lado seja melhor do que os que já vivemos.

São 17h15, estou assistindo ao final do filme "GHOST", e ele acaba de dizer que: " o amor verdadeiro levamos conosco", por isso tenha certeza que o meu por você, vai estar comigo onde eu estiver.


Um super beijo!


Te amo!

Luiza


domingo, 25 de julho de 2010

CAPÍTULO 1 - HISTÓRIAS DE NÓS DOIS

Aos vinte anos, eu estava perdido em um bairro que jamais tinha entrado, e que a partir daquela mesma data iria começar minha jornada como professor naquela escola, tijolinhos a vista, um espaço considerado grande e novo, e que muitas alegrias ainda me esperavam, e que naquele espaço iria conhecer a mulher que iria transformar minha vida por completo e que iria me tornar o homem mais feliz do mundo.
Trinta e três aulas por semana, era isso que eu iria trabalhar naquela escola, e na 6ª série A estava ela, uma menina inteligente, meiga, mimada e muito dedicada aos estudos. No início eu não chamei sua atenção, pelo contrário, acho que causei uma certa repudia nela e nos alunos, e eu nem a notei direito. O lugar era novo e eu precisava conquistar o meu espaço e mostrar minha personalidade para todos que estavam a minha volta. O tempo passou e meu espaço estava garantido, minha competência monstrada, meu carisma e minha dedicação percebidos e eu já fazia parte da história daquele lugar. As minhas turmas não me trocavam por nenhum outro professor, me queriam como professor por anos seguidos, eu já era motivo de ciúmes de grande parte dos alunos e professores, e foi assim que eu fiquei da 6ª série A até chegar na 8ª série A, 3 anos de muita alegria, de muito orgulho e satisfação. Eu não sabia que a minha história só estaria começando e eu jamais poderia imaginar que essa história iria tomar o rumo que tomou. Que uma simples aluna de apenas 12 anos, iria se tornar minha mulher 8 anos mais tarde.

sábado, 24 de julho de 2010

A partir deste momento...

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CAPÍTULO 2 - HISTÓRIAS DE NÓS DOIS

Quem diria que minha vida ficasse completamente transformada por um beijo. Um único beijo, dado em um único dia, 12 de março de 1995.
Ela estava diferente, mais bonita, cabelos longos e negros, uma menina já, mas num corpo de mulher, e que me encantava com um sorriso ingênuo, mas provocante. Uma menina responsável, que eu não sabia direito do que ela era capaz, mas que estava doido para saber o que tinha por trás daquele rostinho ingênuo.
Sem mais nem menos, assim mais que de repente, ela aparece na escola, me encontra ocupado, e me pede ajuda para te ensinar, lhe explicar algo que supostamente eu acho que ela já sabia. Ainda tenho minhas dúvidas até hoje, será que ela não sabia mesmo? Será que ela não queria me ver? Ou será que foi algo sem querer... Ela me disse que foi sem querer.
Não conseguindo atendê-la de imediato, me prontifiquei a ir a casa dela, pois ela morava perto da escola que eu trabalhava e que ela já havia estudado. Eu já tinha ido a casa dela algumas vezes, e já conhecia seus pais das reuniões da escola, ou da festa de 15 anos que ela me convidou. Eu dancei com ela, é já tínhamos deixado nossos corpos ficarem próximos, já tínhamos deixado nossos rostos se aproximarem o bastante para sentir a pele do outro e o barulho de nossas respirações. Ela já tinha sido minha aluna...
Eu poderia ir? Eu poderia me envolver com minha ex-aluna? Poderia sentir por ela algo que se sente por uma mulher? Uma garota que estava se tornando mulher e que os meus olhos já a queriam? Seus olhos... como nos olhamos, sua sobrancelha grossa que eu tocava com a ponta dos dedos, e sua boca pequena, mas que eu queria, como eu queria...
Fui a casa dela, ficamos sentados na mesa da cozinha, mostrando como se faziam aqueles exercícios, muito próximos um do outro, ela aprendia muito rápido, ou será que ela já sabia? Sentia ela respirar bem perto de mim, ela segurou minha mão ou eu segurei a dela, não me lembro ao certo, e ambas suavam, estava nervoso, algo nos dizia o que queríamos... algo nos dizia o que iria acontecer. Uma mistura de respeito, de medo, de vontade, de querer, pois eu nunca tinha beijado uma aluna, ou melhor uma ex-aluna. Mas era tão recente, a apenas três meses eu tinha sido o paraninfo de sua turma e nos despedimos com choro, e agora eu estava ali, na casa dela, próximo a ela, segurando a mão dela.
Aquela aula iria me sair muito cara. E realmente saiu... Depois que ela tirou as dúvidas, que terminei de ajudá-la com seus deveres, ficamos nos olhando... Ela me olhou e sei lá algo me tocava, algo que talvez eu quisesse, mas não sabia direito o que era, algo que poderia marcar a minha vida para sempre, mas eu sei que queria e muito. Foi quando ela me olha e me pergunta quanto me devia, quanto seria a aula? Eu, meio tímido, mas morrendo de vontades, respondi que nada que um beijo não pudesse pagar, e que um beijo estaria muito bem pago. Se falei brincando? Se falei para ver o que aconteceria? Se falei porque eu realmente queria aquele beijo? Hoje não posso afirmar nada, só sei que ganhei este beijo, e que beijo! Meio sem graça, meio desengonçado, mas ganhei um beijo, um beijo que poderia mudar completamente minha vida.
Aquela vida sem graça que eu vivia, aquela vida sem um significado forte, começa a desaparecer a partir daquela data, e começa a dar abertura a uma vida com um significado maior, começa a ter um rumo diferente, começa a brilhar nos meus olhos e a mexer com o meu coração, ocupando cada lugarzinho dele com uma força intensa.

TODOS OS AMORES

De todos os amores por mim vividos até hoje, o seu foi o mais intenso;
De toda a saudade, a sua foi a mais forte;
De todos os sonhos, os seus foram os mais lindos;
De toda ânsia de cometer loucuras, a sua foi a que mais me atentou;
De todas as esperanças em amores depositados, o seu foi o que teve mais crédito;
De toda a vontade de ficar junto, a que me domina é a sua;
Por isso, de todos os amores eternos por mim prometidos o seu será o único.
CASAL APAIXONADO